Inep confirma que o testlet, usado em 2025 só em Linguagens, passa a valer para todas as áreas do Enem 2026, e a Filadd já adapta simulados ao formato
O Enem 2026, aplicado em 8 e 15 de novembro, chega com uma mudança que o Inep confirmou e que ainda é pouco compreendida pelos candidatos: o testlet. O formato reúne duas ou mais questões em torno do mesmo material de apoio, que pode ser um texto, um gráfico, uma tabela, uma charge, um infográfico ou uma situação-problema. Em 2025, ele apareceu só na prova de Linguagens. Para 2026, segundo Hilda Linhares, diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, “espera-se que, a partir desta edição, esse modelo seja adotado não apenas para a área de linguagens, na qual ele foi aplicado em 2025, mas também para outras áreas de conhecimento”. Estimativas do setor apontam que entre 20% e 30% das questões da prova podem seguir esse modelo.
O modelo não é brasileiro: o Inep se inspirou no PISA, avaliação internacional aplicada em dezenas de países pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que usa blocos de questões amarrados a um mesmo estímulo há anos, com o objetivo de medir leitura ativa e integração de conhecimento, não memorização isolada. Um detalhe técnico importa para quem vai estudar: dentro de um mesmo testlet, as questões são independentes entre si, então errar uma não compromete o julgamento das outras. A dificuldade não vem de uma resposta travar a outra, vem do esforço de sustentar o mesmo material na cabeça por mais tempo, questão após questão.
O formato exige um tipo de leitura diferente do treino tradicional por questão isolada. O candidato precisa voltar ao mesmo material várias vezes, cruzar informações entre as perguntas de um mesmo bloco e sustentar a interpretação do início ao fim do testlet, não só na primeira questão. Um levantamento da Arco Educação sobre a edição de 2025 mostra o tamanho do desafio: o bloco de cinco questões no modelo testlet teve taxa média de acerto de apenas 37%.
O levantamento foi conduzido por Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações da Arco Educação, com base na própria Teoria de Resposta ao Item usada pelo Inep para calibrar as questões. Camila Karino, diretora de Avaliações da mesma organização, lê a mudança de forma mais otimista: classifica o testlet como um avanço no modelo avaliativo e diz não enxergar desvantagens claras no formato. As duas leituras não se contradizem: o formato pode ser pedagogicamente melhor e, ainda assim, pegar de surpresa quem nunca treinou nele.
Na prática, um testlet de Ciências Humanas pode trazer um mesmo gráfico sobre migração interna e cobrar, em sequência, uma questão sobre a leitura do dado, outra sobre a causa histórica do fenômeno e uma terceira sobre a consequência social hoje. Quem treinou questões avulsas, uma por tema, chega a essa sequência sem o hábito de voltar ao mesmo gráfico três vezes seguidas, e é aí que o formato ganha tempo do candidato.
Para a Filadd, cursinho online pré-vestibular com mais de 3 milhões de usuários na América Latina, o problema não é o conteúdo, é o treino do formato. “Quem estuda só decorando fórmula ou resumo isolado vai travar no testlet, porque a dificuldade não está em nenhuma pergunta sozinha, está em sustentar o raciocínio do início ao fim do bloco. É outro tipo de fôlego de leitura, e isso só se treina simulando a prova real, não estudando por matéria separada”, afirma Bruno Ferrari, coordenador pedagógico da Filadd no Brasil.
Como treinar o bloco antes da prova
A plataforma atualizou o banco de questões e o Simulado Gratuito 2026 para reproduzir blocos de testlet nas cinco áreas do conhecimento, com correção pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), o mesmo método usado pelo Inep. “A gente não quer que o aluno veja o testlet pela primeira vez no dia da prova. Ele precisa errar esse formato aqui, com a gente, várias vezes antes de novembro”, diz Ferrari.
O treino de testlet é só uma parte do que a Filadd chama internamente de Ciclo Imparável: orientação individual, monitorias, simulados com correção em TRI e correção de redação, nenhum com teto de uso. A redação, inclusive, costuma ser o ponto mais negligenciado por quem foca só no treino de questões objetivas: o aluno escreve e recebe devolutiva nas cinco competências do Enem quantas vezes quiser, com mentoria individual quando o problema é de método, não de tema. Não há pacote, cota nem crédito; quem ajusta o ritmo é o orientador, conforme a trajetória de cada aluno.
A mudança acontece no mesmo ano em que o Enem passa a integrar oficialmente o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o que reforça o papel da prova para além do acesso ao ensino superior. Na prática, o recado para o candidato é direto: quem treina apenas questões isoladas corre o risco de ser pego de surpresa por um formato que já não é mais exceção, e sim parte estrutural do exame.
O Simulado Gratuito Filadd 2026 e o Teste Vocacional Gratuito estão abertos a qualquer estudante, aluno da plataforma ou não, em simulado.filadd.com.br e teste-vocacional.filadd.com.br.
A metodologia já soma mais de 810 aprovações em 112 universidades, reunidas no mural de aprovados da Filadd, entre alunos com participação ativa na plataforma, segundo dados da companhia referentes ao ciclo 2026.
Sobre a Filadd
A Filadd é uma edtech latino-americana voltada à preparação para exames de ingresso ao ensino superior, com atuação em mercados como Brasil, Chile, Colômbia e Índia. Seu modelo combina plataforma digital, orientação acadêmica individual, simulados, banco de questões, mentoria e recursos de personalização contínua para apoiar estudantes em jornadas de alta exigência competitiva. A empresa integra rankings do ecossistema de educação e tecnologia da região, incluindo o HolonIQ LATAM EdTech 100, e já participou de programas de aceleração internacional voltados a startups de educação e tecnologia.







