É com grande entusiasmo que venho compartilhar minha experiência com esta obra! Tive a oportunidade de assisti-la durante a 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado e agora, vê-la chegando aos cinemas é uma emoção em dose dupla. Hoje, convido todos a conhecerem a tocante história de amor entre Gugu e sua avó Dilma. Preparem os lenços e vamos falar sobre “Feito Pipa”, o filme que nos representa na corrida pelo Oscar 2027.
É gratificante ver o brilho do nosso Cinema Nacional nas telonas! Neste ano, foram lançados filmes variados que agradam a diferentes públicos: desde suspense até comédia, passando por dramas intensos. Entre eles, “Feito Pipa” se destaca para mim como uma obra que realmente marcou. Com uma abordagem sutil, ele entra em nossas vidas quase como um pedido de licença, mas rapidamente nos envolve em um abraço caloroso. O filme retrata a dura realidade da existência, mas também revela a beleza que pode ser encontrada mesmo nas situações mais desafiadoras. É uma história que oferece esperança e força para seguir em frente, mesmo nos momentos mais difíceis.
Gostaria muito que você pudesse sentir o que eu experimentei ao assistir pela primeira vez. Ir à sessão sem saber do enredo ou dos detalhes é algo realmente impactante! Essa obra deixa uma marca profunda na memória do espectador. Embora algumas pessoas possam se identificar mais do que outras com as situações apresentadas, é impossível não se emocionar ou refletir sobre suas próprias experiências.
Infelizmente, existe uma parte do público que pode apenas arranhar a superfície da mensagem do filme. Algumas pessoas podem tentar justificar as atitudes intolerantes do pai ou rotular a obra como “lacradora” apenas por ter um protagonista afeminado e por trazer à tona o debate sobre a criação de crianças por avós. É triste perceber que alguns não conseguem enxergar além do óbvio.
Permitam-me expressar meu orgulho por ter sido criado por mulheres extraordinárias! Mulheres fortes e independentes, que cuidam da família sem esperar pela ajuda masculina. Sou imensamente grato pela educação recebida e pelo amor incondicional que tenho por elas! Agradeço profundamente à minha mãe, avó, bisavó e tias; vocês são verdadeiramente incríveis!
Foi neste contexto que “Feito Pipa” me tocou profundamente, trazendo lembranças da infância: as visitas à minha bisavó, ouvindo suas histórias cativantes enquanto desfrutava de ambrosia. Na família Castilhos – gostaria muito de ter esse sobrenome – valorizamos a independência; minha avó nunca esperava ninguém para ir ao mercado ou resolver questões bancárias; ela sempre voltava antes mesmo de pedirmos para acompanhá-la.
Identifiquei-me muito com a dona Dilma, uma mulher forte e decidida que não se deixa levar facilmente pelas palavras alheias. Se necessário, ela sabe impor limites!
Essa produção possui várias camadas e aborda cada uma delas com grande sutileza. Por essa razão afirmo que o filme permanece em nossa mente mesmo após os créditos finais. Ele aborda diversos temas – evitando spoilers aqui –, diferentemente de outras obras que tratam essas questões de forma explícita; “Feito Pipa” consegue comunicar muito através do subtexto. Cada cenário, cada vestimenta dos personagens e tudo o que aparece (ou não) em cena tem um significado.
Gugu não se preocupa com o julgamento das outras pessoas; ele valoriza o amor e cuidado da avó acima de tudo. Se deseja explorar o mundo e lutar pelos seus sonhos, ele sabe que conta com o apoio incondicional da vovó Dilma, pronta para acolhê-lo ou orientá-lo quando necessário.
Entretanto, como mencionei anteriormente, a vida não é um conto de fadas e essa narrativa reflete isso perfeitamente. Embora exista beleza na vida, ela também pode ser desafiadora! “Feito Pipa” não impõe seu impacto imediatamente; ao contrário, vai construindo aos poucos as situações enfrentadas pelos personagens. O espectador não é surpreendido repentinamente: os elementos vão se revelando gradualmente até alcançar um clímax emocional onde é impossível conter as lágrimas ou reflexões sobre nossas vidas e relacionamentos familiares.
Para concluir, não posso deixar de mencionar o elenco EXCEPCIONAL! Lázaro Ramos é sempre impressionante; sua habilidade em interpretar um personagem tão complexo me deixou desconfortável sempre que Batista aparecia em cena. O elenco infantil também é magnífico! Yuri Gomes brilha como Gugu; no Festival em Gramado estava um pouco tímido durante as apresentações, mas em cena… parece outra pessoa! E Teca Pereira dá vida à nossa vovó Dilma com maestria; eu adoraria conhecê-la pessoalmente para fofocar ou dançar forró juntas!
Há mais algo a acrescentar? “Feito Pipa” tem sua estreia marcada para 5 de novembro. Visitem o cinema mais próximo e compartilhem comigo suas impressões sobre o filme! Para aqueles que já me acompanham aqui, reforço: apoiem as produções nacionais especialmente no primeiro fim de semana após o lançamento; isso faz toda a diferença.
Um grande abraço a todos! Até nosso próximo encontro. Thi.
