A sensação de cansaço persistente, a dificuldade em manter a concentração, a fome inesperada, o sono excessivo após as refeições e a irritabilidade não estão necessariamente relacionados apenas ao estresse, à rotina diária ou à privação de sono. Quando esses sintomas se tornam frequentes, é importante considerar que podem estar ligados a alterações metabólicas que precisam ser investigadas.
Informações do Ministério da Saúde revelam que, entre 2006 e 2024, o percentual de diagnósticos de diabetes em adultos nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal cresceu de 5,5% para 12,9%. No mesmo período, a taxa de sobrepeso aumentou de 42,6% para 62,6%, enquanto os casos de obesidade saltaram de 11,8% para 25,7%.
Segundo a nutricionista Bela Clerot, um erro comum é esperar por sinais mais evidentes ou por exames com resultados muito alterados antes de procurar ajuda. Ela ressalta que sintomas como fome intensa e frequente, falta de energia constante, sono insatisfatório e a vontade incessante de petiscar podem se manifestar antes que um diagnóstico definitivo seja estabelecido.
Quatro sinais que merecem atenção
Cansaço desproporcional
Quando a fadiga se torna algo habitual e não melhora com o descanso adequado, é fundamental investigar a situação, especialmente se acompanhada por outros sinais ou fatores de risco.
Fome excessiva ou vontade constante de petiscar
A sensação frequente de fome fora do horário habitual e a dificuldade em se sentir saciado podem indicar problemas do corpo em regular os níveis de glicose e insulina.
Sonolência após as refeições
A sensação de cansaço após comer é um sintoma genérico, mas deve ser observada com mais atenção quando ocorre repetidamente.
Aumento da circunferência abdominal e dificuldade em emagrecer
O acúmulo de gordura na região abdominal é considerado um indicador negativo em termos metabólicos e pode aumentar o risco à saúde, surgindo já nas fases iniciais.
Quando investigar é necessário
A análise dos sintomas deve ser aprofundada quando eles não são isolados e começam a se repetir ao longo dos dias ou semanas. É ainda mais urgente quando dois ou mais desses sinais aparecem simultaneamente ou quando existem fatores de risco associados, como histórico familiar de diabetes, sobrepeso, acúmulo de gordura abdominal, sedentarismo ou experiências anteriores com diabetes gestacional.
Dentre os exames mais comuns utilizados na investigação estão a glicemia em jejum, hemoglobina glicada e insulina basal. Quando indicado clinicamente, pode-se realizar também o teste oral de tolerância à glicose.
A interpretação dos resultados e o diagnóstico devem ser feitos por profissionais da saúde. Se o cansaço for excessivo, a fome for persistente e difícil controlar o peso ou se houver oscilações na energia ao longo do dia, buscar uma avaliação precoce pode ser essencial para identificar alterações antes que elas evoluam para problemas mais sérios.









