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Como proteger seu pet durante os fogos, orienta o Médico-Veterinário Marcelo Müller

Profissional com ampla experiência em atendimento domiciliar e clínica de pequenos animais explica como reduzir estresse, prevenir acidentes e garantir segurança durante fogos de artifício

A temporada de fogos de artifício, comum em festas e eventos esportivos, representa um período crítico para cães e gatos em todo o país. O barulho intenso e imprevisível pode desencadear medo, pânico, tentativas de fuga, acidentes domésticos e até crises fisiológicas graves. Para o Médico-Veterinário Marcelo Müller, que atua há mais de vinte e cinco anos em clínica médica e cirúrgica, atendimento domiciliar e bem-estar animal, o tutor precisa adotar medidas preventivas e criar um ambiente seguro para proteger seus pets.

“Os fogos têm um impacto enorme nos animais porque eles não entendem a origem do barulho. Para eles, é um sinal de perigo iminente. O tutor faz toda a diferença para reduzir esse medo”, afirma Marcelo Müller.

 

Por que os fogos causam tanto medo

A capacidade auditiva dos cães e gatos é muito superior à dos humanos, o que torna as explosões mais agressivas para eles. Além do som, a vibração do ambiente, a luz e a imprevisibilidade contribuem para a sensação de ameaça.

Segundo Marcelo Müller, a resposta fisiológica é imediata. “O animal entra em estado de alerta máximo. A liberação de cortisol aumenta, o coração acelera e o comportamento de fuga se torna instintivo. Cabe ao tutor evitar que esse estado evolua para pânico.”

 

Como preparar a casa antes dos fogos

Medidas simples, planejadas com antecedência, reduzem de forma significativa os riscos.

1. Crie um local seguro e silencioso

Escolha um quarto ou espaço acolhedor. Feche portas, janelas e cortinas. Disponha caminha, mantas e objetos que tenham o cheiro do tutor.

2. Use sons para suavizar o impacto

Música suave, ruído branco, ventilador ou ar condicionado ajudam a mascarar os estrondos.

3. Tranque portas e portões

A fuga é o principal risco. Gatos podem se projetar por janelas e cães podem forçar portões.

4. Mantenha identificação atualizada

Plaquinha e microchip são fundamentais caso o animal consiga fugir.

Marcelo Müller reforça que “um ambiente preparado com antecedência diminui muito o estresse e ajuda o animal a encontrar segurança mais rápido”.

Como agir durante os fogos

A postura do tutor no momento dos estrondos influencia diretamente o comportamento do pet.

Fique presente e transmita calma

“A presença do tutor funciona como âncora emocional. Ela reduz o medo e ajuda o animal a se regular”, afirma Marcelo Müller.

Nunca brigue e nunca ignore

Broncas aumentam o estresse. Ignorar também reforça insegurança.

Distraia com estímulos positivos

Brinquedos recheáveis, petiscos, mordedores e enriquecimento ambiental são aliados.

Use contato físico suave quando o pet aceitar

Carícias lentas estabilizam o ritmo respiratório e diminuem a tensão muscular.

 

Orientações específicas para gatos

Gatos tendem a lidar com medo buscando esconderijos. Esse comportamento precisa ser respeitado.

  • ofereça caixas, tocas ou locais elevados
  • não tente pegar o gato à força
  • garanta que o esconderijo seja seguro

Marcelo Müller explica que “o esconderijo é parte da estratégia natural do gato para lidar com ameaças. O tutor deve apenas garantir proteção.”

 

Sinais que exigem atenção veterinária

Alguns animais desenvolvem fobias agravadas e podem ter crises durante os fogos. Fique atento se houver:

  • tremores contínuos
  • respiração ofegante
  • salivação excessiva
  • tentativas repetidas de fuga
  • vômitos ou diarreia
  • vocalizações intensas
  • automutilação

Segundo Marcelo Müller, “pets que apresentam crises severas devem ser avaliados por um Médico-Veterinário. Em alguns casos, protocolos específicos podem ser necessários.”

 

O papel do tutor na prevenção de traumas

A memória emocional criada durante os fogos pode influenciar o comportamento do animal por muitos anos. Por isso, medidas de proteção e acolhimento são essenciais.

“O tutor tem um poder enorme na maneira como o pet interpreta o mundo. Quando oferecemos segurança, acolhimento e controle, o animal enfrenta o medo de maneira muito mais equilibrada”, afirma Marcelo Müller.

Sobre o autor

Marcelo Müller é Médico-Veterinário com mestrado em Pesquisa Clínica, especializado em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, bem-estar animal e atendimento veterinário domiciliar. Atua na promoção de saúde preventiva e integrativa, com foco no diagnóstico precoce, respeito à senciência animal e fortalecimento do vínculo entre pets e tutores.
Autor do livro “Meu Pet… Meu Mundo…”, é uma das vozes mais ativas do país na defesa da medicina veterinária humanizada e da valorização do profissional que cuida da vida em todas as suas formas.

Dr. Marcelo Müller
(21) 96453-3997
[email protected]
@marcelomullervet