4 de novembro de 2026
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FMI projeta retomada econômica no Brasil, mas exige medidas de ajuste fiscal

Foto: Ajay Suresh/Flickr – CC BY 2.0Fundo projeta crescimento gradual da economia, mas alerta para pressão da inflação e necessidade de reduzir a dívida pública O post FMI vê recuperação do Brasil, mas cobra ajuste fiscal apareceu primeiro em Agora RS.

Segundo as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), a economia brasileira deve passar por um processo de recuperação em 2026, após enfrentar uma desaceleração em 2025. A expectativa é que o crescimento se fortaleça gradualmente, alcançando cerca de 2,5% no médio prazo. Essas previsões foram apresentadas após uma missão do Fundo entre os dias 18 e 29 de maio, no contexto da consulta anual do Artigo IV.

O relatório do organismo internacional destaca que a economia do Brasil mostrou resiliência frente a recentes choques. O país possui uma certa proteção contra a elevação dos preços globais do petróleo, devido à sua condição de exportador líquido dessa commodity e à significativa participação de fontes renováveis na matriz energética.

Inflação voltou a pressionar

De acordo com o FMI, embora a inflação tenha apresentado queda no início de 2026, recentemente houve um novo aumento impulsionado pelos preços internacionais de energia.

A previsão é de que os índices inflacionários subam no curto prazo, mas converjam para a meta estabelecida de 3% até meados de 2028.

O Fundo considera apropriadas as reduções nas taxas de juros promovidas pelo Banco Central nos meses de março e abril, mas recomenda flexibilidade nas próximas decisões da política monetária em resposta às incertezas globais e novas pressões inflacionárias.

Dívida pública preocupa

No que tange à situação fiscal, o FMI enfatiza que o Brasil deve continuar seus esforços para ajustar suas contas e colocar a dívida pública em uma trajetória descendente.

O organismo sugere que sejam poupadas receitas extraordinárias provenientes do setor petrolífero, que aumentem as receitas fiscais, reduzam os gastos tributários e enfrentem a rigidez das despesas.

Na visão do FMI, um esforço fiscal mais robusto poderia aumentar a credibilidade das finanças públicas, diminuir os custos de financiamento e criar espaço para investimentos prioritários.

Sistema financeiro

O sistema financeiro do Brasil foi considerado robusto, com instituições bancárias bem capitalizadas e líquidas.

Entretanto, o FMI recomenda atenção especial aos riscos relacionados ao crédito concedido às famílias e sugere um fortalecimento na supervisão tanto bancária quanto do mercado de capitais.

O relatório também destaca a importância de enfrentar a escassez de pessoal no Banco Central e fortalecer as proteções legais que garantem a atuação dos supervisores financeiros.

Reformas e transição ecológica

O FMI ressalta que reformas estruturais e uma agenda voltada para a transição ecológica podem facilitar um crescimento mais robusto e inclusivo no médio prazo.

O organismo menciona progressos em novas parcerias comerciais, melhorias no ambiente empresarial, incentivo à concorrência, aumento da inclusão no mercado de trabalho e políticas voltadas para descarbonização.