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Petróleo atinge valores altos e Trump causa confusão em meio à guerra com o Irã no décimo dia de conflito.

O décimo dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, nesta segunda-feira (9), foi marcado pela disparada do petróleo, pela reação das potências do G7 e por novas declarações de Donald Trump que alternaram a possibilidade de encerramento rápido do conflito com a defesa de continuidade da ofensiva.

O barril chegou perto de US$ 120, maior valor desde o início da guerra da Ucrânia, em 2022. A alta foi impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela redução de oferta em países do Golfo atingidos pela escalada regional. No entanto, recuou com uma série de declarações de Donald Trump (leia mais abaixo) e fechou em US$ 92.

Ministros das Finanças do G7 discutiram medidas para conter os efeitos da disparada, mas decidiram não liberar, por enquanto, as reservas de emergência. O grupo reúne França, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido.

Conforme a IEA (Agência Internacional de Energia), os riscos para o mercado aumentaram com a dificuldade de circulação no Estreito de Ormuz e com a redução parcial da produção de petróleo em parte da região. A estimativa é de que 80% do petróleo que passou por Ormuz em 2025 tenha seguido para a Ásia, embora uma interrupção prolongada tenha potencial de impacto global.

A diretora técnica do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo), Ticiana Álvares, afirmou à Agência Brasil que os efeitos imediatos tendem a atingir primeiro Ásia e Europa, mas que uma guerra mais longa ampliaria as repercussões para toda a economia global. Ela também avaliou que o Brasil pode ganhar espaço como fornecedor alternativo de petróleo, embora siga exposto aos efeitos inflacionários internacionais.

No caso brasileiro, a avaliação é que a Petrobras teria capacidade de amortecer por algum tempo parte da pressão sobre os combustíveis. Ainda assim, o país continuaria vulnerável ao encarecimento de derivados e a uma possível desaceleração global caso o conflito se prolongue.

Trump oscila discurso entre fim rápido e continuidade

Ao longo do dia, Trump deu entrevistas e fez discursos com mensagens diferentes sobre o rumo da guerra. Em entrevista à CBS, afirmou que o conflito estaria “praticamente resolvido” e sugeriu que o encerramento poderia ocorrer em breve. No mesmo conjunto de falas, porém, declarou que os Estados Unidos ainda “não venceram o suficiente”.

Mais tarde, em evento com parlamentares republicanos na Flórida, o presidente voltou a dizer que a operação seria de curto prazo, mas defendeu a continuidade da ofensiva até uma “vitória final”. Também afirmou que os Estados Unidos já destruíram a maior parte da capacidade militar iraniana, incluindo mísseis, drones e estruturas de comunicação.

Em outra frente, Trump voltou a cogitar maior controle sobre o Estreito de Ormuz e deixou em aberto a possibilidade de influenciar a liderança do Irã após a guerra, assim fez nos últimos dias. Também disse que uma decisão sobre envio de tropas ainda não foi tomada.

As falas ocorrem num momento em que o próprio governo norte-americano já havia indicado anteriormente a possibilidade de uma guerra mais longa, superior a um mês.

Embaixador do Brasil vê guerra cara e difícil

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, avaliou que uma tentativa de derrubada do regime iraniano por forças estrangeiras seria uma tarefa “hercúlea” e com alto custo humano e econômico.

Em entrevista à Rádio Nacional, ele afirmou que ataques exclusivamente aéreos não seriam suficientes para produzir mudança de regime e destacou as dificuldades de uma eventual incursão terrestre, como o tamanho do território iraniano, o relevo montanhoso e a capacidade militar do país.

Veras relatou que, apesar dos bombardeios, serviços essenciais como água, energia e gás seguem funcionando no Irã, enquanto aulas continuam de forma remota e o comércio permanece aberto. A principal restrição relatada é o racionamento de gasolina.

O embaixador também apontou que a rápida substituição de Ali Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, demonstrou capacidade de reorganização institucional do sistema iraniano. Ao mesmo tempo, avaliou que essa sucessão pode ampliar críticas internas, por reforçar a percepção de continuidade hereditária dentro de um regime instaurado após a derrubada de uma monarquia.

Diplomacia segue aberta, mas cenário continua instável

Mesmo com a escalada, Veras não descartou uma saída negociada. Na avaliação dele, o Irã precisa do alívio das sanções econômicas, enquanto Estados Unidos e demais potências dependem de estabilidade para preservar o comércio global e as rotas de energia.

Também nesta segunda-feira, o Kremlin informou que Trump telefonou para Vladimir Putin. Conforme a versão divulgada por Moscou, os dois discutiram a situação no Irã e na Ucrânia, e o presidente russo apresentou ideias voltadas a uma solução política e diplomática para o conflito.

Até o fim do dia, no entanto, o cenário seguia sem indicação concreta de cessar-fogo. Com o petróleo em alta, o mercado financeiro sob pressão e mensagens contraditórias vindas da Casa Branca, o décimo dia de guerra terminou com mais incerteza sobre a duração e o custo do conflito.

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