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Preço da Eternidade em Debate no ‘Cartório das Almas’ da Distopia Brasileira

Olá, amigos! Que alegria retornar para discutir o nosso cinema nacional. O filme que assisti recentemente me deixou bastante impressionado e me fez lembrar de uma leitura recente que abordava a morte de uma maneira “singular”. Sem mais enrolações, vamos falar sobre “Cartório das Almas” (Pandora Filmes).

Já imaginou um trabalho em que sua função é registrar os motivos pelos quais as pessoas optam por abdicar da vida? E fazer isso sem se deixar levar pelas emoções ou tentar interferir?

Essa é a essência de “Cartório das Almas”. Em um universo distópico, ser imortal significa apenas viver por mais tempo, mas sem emoções, resultando em uma existência vazia. No entanto, existem aqueles que escolhem abrir mão dessa imortalidade. É nesse contexto que encontramos nossa protagonista, Laura (Gabriela Correa), uma mulher de 126 anos contratada para realizar esses registros. Sua responsabilidade é entender e anotar o motivo pelo qual cada indivíduo decide deixar a vida, sem procurar mudar a escolha de ninguém.

Ao assistir “Cartório das Almas”, fiquei surpreso com as diferentes interpretações da morte. Em narrativas ambientadas em realidades distópicas, percebo que elementos afastados do cotidiano podem tornar essas ideias mais palatáveis. Por exemplo, na obra literária “Os dois morrem no final”, de Adam Silvera, a morte é anunciada por uma central de telemarketing. Já pensou receber um telefonema informando o dia da sua morte? Para muitos, essa possibilidade gera espanto ao imaginar um futuro onde tal serviço exista. Para os leitores ávidos, fica a dica.

É interessante notar como tanto na literatura quanto no cinema, a morte pode ser apresentada sob diversas perspectivas. Na realidade cotidiana, isso parece impensável; entretanto, quando uma obra é bem executada, ela pode evocar uma gama de emoções: angústia, aflição e medo… Este filme consegue nos envolver de tal forma que realmente questionamos se vale a pena ser imortal. Mas a que custo? À medida que Laura interage com outros personagens e descobre suas histórias, somos levados à reflexão — eu definitivamente fui. De que adianta viver por tanto tempo sem propósito? É simplesmente existir sem realmente viver.

Além da narrativa envolvente, há muitos aspectos positivos neste longa-metragem. A ambientação, a fotografia e os figurinos são visualmente impressionantes. Assistir obras assim é gratificante e enriquece o nosso cinema nacional. É notável como elementos já familiares ao público podem ser retratados de maneiras inovadoras, especialmente no que diz respeito às cores. Tradicionalmente, o branco é associado à paz e o preto ao luto; no entanto, ao mergulharmos nessa história, essas associações se invertem.

O branco transmite uma sensação de aprisionamento. O que deveria sugerir tranquilidade acaba se tornando opressor. Mesmo em ambientes claros, não conseguimos sentir alegria ou entusiasmo algum. Por outro lado, o preto — antes ligado à angústia — agora nos oferece esperança. Uma cor muitas vezes evitada por sua associação com sentimentos negativos se torna acolhedora e convidativa; parece que é na escuridão que reside a verdadeira vida. Fico fascinado quando as produções conseguem transformar algo familiar em algo novo e significativo.

Definitivamente tenho muitos pontos positivos para destacar sobre minha experiência assistindo “Cartório das Almas”. Pouquíssimas coisas me incomodaram durante o filme. Foi realmente uma ótima vivência que poderia ter sido ainda mais intensa se tivesse visto a obra em uma sala de cinema em vez de em uma cabine online para imprensa. Imagino como seria a imersão.

Dito isso, anotem na agenda: assim que “Cartório das Almas” estrear nos cinemas, não percam! Lembrem-se: o primeiro fim de semana de exibição é crucial para as produções nacionais! Portanto, se você também aprecia o cinema brasileiro como eu, assegure seu ingresso! Como sempre faço questão de mencionar: venham conversar comigo após assistirem ao filme.

Um grande abraço a todos e até nossa próxima sessão! Thi.

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