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Futuro Futuro” projeta um Brasil em crescente divisão aguardando o apocalipse

Saudações, amigos! Como vocês estão? Hoje, vamos discutir o Cinema Nacional. Preciso confessar que, ao deixar a cabine de imprensa, fiquei com algumas interrogações sobre a obra. “Futuro Futuro” (Vulcana Cinema, 2025) provocou reflexões em mim, e é exatamente isso que o filme parece buscar: instigar o público a pensar. Durante a redação deste texto, consegui refletir melhor sobre as situações apresentadas e a construção narrativa proposta. Venham comigo nessa jornada pela intrigante criação de Davi Pretto.

Em “Futuro Futuro”, encontramos um longa-metragem que certamente vai suscitar reações divergentes. Enquanto alguns espectadores podem considerar o filme maçante, outros podem vê-lo como uma ousadia inovadora; há também os que poderão classificá-lo como cult ou mesmo ter uma variedade de impressões e, no final das contas, acabar se agradando dele. Confuso? Sem dúvida! Mas tenho grande apreço por produções que desafiam as convenções do cinema hollywoodiano.

Vamos refletir juntos: quantos filmes retratam futuros distópicos? “Contato”, “Guerra dos Mundos”, “Matrix”, “A Origem”… O foco aqui não é discutir a qualidade dessas obras, mas sim ressaltar que a ficção científica possui uma vasta gama de títulos, tanto explorando realidades quanto criando mundos fantásticos. Na maioria das vezes, vemos protagonistas lutando contra o tempo para resolver um dilema “X” e salvar o planeta ao final, mas isso não significa que essa estrutura narrativa seja inferior.

É importante ressaltar que não faz sentido comparar o orçamento de um filme brasileiro com os nomes mencionados anteriormente. Acredito que comparações desse tipo não são saudáveis nem na vida pessoal nem na profissional. Podemos nos inspirar em alguém ou em um trabalho, mas quando começamos a fazer comparações diretas, isso pode ser prejudicial — especialmente em uma era onde as redes sociais parecem apresentar uma realidade perfeita. Se você tem sonhos e metas, ótimo; trabalhe arduamente para alcançá-los. É válido ter inspirações, mas cada um conhece suas próprias batalhas.

Ainda sobre esse ponto, considero injusto comparar filmes nacionais com produções que possuem orçamentos milionários. Nem toda produção pode ser comparada a “Ainda Estou Aqui” ou “O Agente Secreto”, que lutaram muito para conseguir apoio publicitário e atrair público para suas exibições. Por essa razão, já mencionei antes a importância do primeiro fim de semana para a permanência das nossas obras nas salas de cinema. Comparar bilheteiras de grandes estúdios como Disney ou Warner com filmes brasileiros é uma abordagem infeliz e até maldosa. Se você realmente aprecia o cinema nacional, faça valer assistindo aos filmes em vez de apenas fazer comparações.

Peço desculpas pela digressão; vocês sabem como sou! Vamos retomar nosso raciocínio: produzir um filme nacional que navega na contramão da maioria é uma demonstração de coragem admirável! Seria simples criar um personagem em São Paulo que descobre algo que organizações secretas tentam ocultar para evitar mudar o futuro da nação e então transformá-lo em herói ao fim da história.

No entanto, ao incorporar situações reais com um toque fictício, o resultado é uma sensação adicional de tensão ou medo. Afinal, já vivenciamos momentos apocalípticos: a pandemia de Covid-19 em 2020 e mais recentemente as enchentes no Sul em 2024. Esses eventos impactaram profundamente as vidas das pessoas. Inclusive, o filme menciona as enchentes logo no início; sua produção ocorreu antes e depois desse desastre.

A narrativa se inicia com um protagonista confuso sobre sua identidade e origem enfrentando uma sociedade fragmentada. De um lado estão aqueles que lutam por sobrevivência sob uma constante chuva cinzenta; enquanto isso, a polícia abusa do seu poder para roubar água e alimento ao invés de proteger os cidadãos. Do outro lado, mesmo sob essa paleta acinzentada, há uma realidade mais próspera onde pessoas desfrutam dos prazeres da vida sem propósito claro.

Não há clareza sobre as causas dessa divisão social: seria uma nova pandemia? O avanço da inteligência artificial? O fato é que algo adoeceu nossa sociedade ao ponto dela aceitar passivamente essa realidade e o fim iminente. Imagine chegar à situação onde as pessoas não se importam mais com o futuro ou tentam escapar desse destino sombrio. “Futuro Futuro” consegue criar algo original enquanto critica a direção preocupante na qual nossa sociedade está se movendo.

Aprecio ver produções nacionais desafiando as normas do mercado tradicional. Embora isso possa não se refletir nas bilheteiras imediatamente, é um filme que merece ser apreciado lentamente. Assistir uma vez pode gerar questionamentos e sentimentos diversos; conversando com outras pessoas sobre a experiência pode abrir novas perspectivas para uma segunda visualização.

Como sempre, estou curioso para saber sua opinião: o que você acha desse tipo de filme? Já comprou seu ingresso? Venha conversar comigo depois e compartilhe suas impressões sobre esta obra! Um grande abraço, Thi.

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