No primeiro trimestre de 2026, as exportações do agronegócio gaúcho totalizaram US$ 3,2 bilhões, marcando o quarto maior valor já registrado nesse período, porém inferior ao resultado obtido no início de 2025. Essa diminuição foi de 3,8%, equivalente a uma perda de US$ 127,2 milhões.
As vendas externas do setor agropecuário representaram 72% do total das exportações do Rio Grande do Sul nesse trimestre. A queda nas exportações foi principalmente influenciada pelo complexo da soja, além de produtos relacionados ao fumo e itens florestais, conforme apontado pelo Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, publicado pelo Departamento de Economia e Estatística.
Dentro do complexo da soja, a retração alcançou 27,2%, com a maior parte da diminuição relacionada à soja em grão. Essa queda decorreu da redução na oferta do produto após uma quebra na safra devido à estiagem enfrentada em 2025. No entanto, derivados como óleo e farelo apresentaram crescimento durante o período.
Os embarques de fumo e seus derivados caíram em 25,8%, motivados pela menor quantidade exportada, preços internacionais menos vantajosos e uma diminuição nas compras por parte da China. Quanto aos produtos florestais, a queda foi de 19,9%, concentrando-se em celulose e madeira, especialmente nas transações com os Estados Unidos.
Recorde nas carnes
Em contraposição ao cenário negativo observado em outros segmentos, o setor de carnes obteve um desempenho notável. As exportações atingiram US$ 743,1 milhões, representando um aumento de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025 e estabelecendo um recorde histórico para este trimestre.
As vendas de carne suína aumentaram em impressionantes 49,6%, impulsionadas pelo crescimento na quantidade embarcada. Já a carne bovina registrou uma elevação de 44,8%, beneficiada por preços internacionais mais elevados.
Além disso, as exportações de animais vivos também alcançaram um marco histórico para um primeiro trimestre, com um crescimento significativo de 147,4% e cerca de 84 mil bovinos enviados ao exterior, principalmente para a Turquia. O setor de máquinas e implementos agrícolas também se destacou com um aumento de 24,2% nas vendas.
Novos destinos reduziram parte das perdas
A diversificação dos mercados ajudou a mitigar algumas das perdas observadas nos tradicionais destinos exportadores. As vendas para o Egito dispararam em 174,6%, sendo principalmente impulsionadas pela exportação de milho. Para as Filipinas, houve um crescimento expressivo de 158,2%, com destaque para a carne suína.
A União Europeia também elevou suas compras dos produtos agropecuários gaúchos em 18,2%. Por outro lado, as importações feitas por China e Vietnã apresentaram quedas significativas devido à menor demanda por soja em grão, fumo, trigo e farelo de soja.
Geração de empregos formais
Em termos de geração de empregos no estado gaúcho, o agronegócio foi responsável por 49,3% das novas vagas formais criadas no primeiro trimestre de 2026. O saldo totalizou 23.123 novos postos com carteira assinada após contabilizar 96.327 admissões e 73.204 desligamentos.
A agroindústria contribuiu com a criação de 15.137 novas vagas enquanto as atividades agropecuárias adicionaram 8.687 postos ao mercado. Na indústria dedicada ao abate e processamento de carnes, o número atingiu um recorde histórico com 72.461 vínculos ativos registrados em março.
O desempenho futuro dependerá da nova safra de soja prevista para entrar no mercado em 2026. A produção esperada é estimada em cerca de 18,3 milhões de toneladas—um aumento considerável de 34,6% comparado à temporada anterior.
O post Agro gaúcho tem 4º maior trimestre da série histórica mas registra queda nas exportações comparado a 2025 apareceu primeiro em Agora RS.









