Dia desses estava vagando pela internet ouvindo leituras de poesias. Até que cheguei em uma chamada “Monotonia”, atribuída a um autor conhecido. O texto fala da relação entre felicidade e o nosso poder de “monotonizar” a vida. De como pessoas que, a olhos externos, parecem ter existências vulgares, rotinas simples, podem extrair disso momentos de muito prazer.
O tema toca em uma discussão bastante atual, em tempos onde cresce a difusão das ciências sociais, mas também de áreas como a psicanálise. A cura e, de modo geral, a melhoria nas condições de vida, viria da desaceleração do dia a dia, aceitando até uma certa precariedade do modo de vida, mas, apesar disso, com um maior contato consigo e com a natureza, ou deveríamos buscar a permanente transformação, em um enlace entre a subjetividade e o pensamento do progresso?
Outro personagem parece ir na direção oposta ao do autor da poesia. Chegou aos 40 anos com números estratosféricos em sua carreira, títulos e dinheiro. Mesmo em uma idade onde a maioria das pessoas já teria parado, continua buscando metas e desafios. Ainda busca alcançar novas conquistas, se tornando um símbolo da cultura da disciplina e produtividade.
Dá-se a impressão que essa pessoa não se sente satisfeita, buscando um constante auto aprimoramento que não parece ter um ponto de chegada. Evoluir é um fim em si mesmo para ele. Já o autor da poesia observa a beleza inerte das pedras, apreciando a simplicidade da vida. Um busca a satisfação do reconhecimento externo, enquanto o outro parece se contentar com a beleza intrínseca das pequenas coisas.
Ambas experiências têm suas fontes de satisfação. Somos seres conectados ao mundo exterior, mas também somos seres que precisam de momentos de solidão e reflexão.
No entanto, algo importante a ser considerado é a presença do outro em nossa busca pela felicidade. Navegamos entre o reconhecimento social e a busca por um amor mais íntimo. A diferença entre aceitar a monotonia da vida ou buscar constantemente evoluir reflete também os diferentes modos como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas ao nosso redor.
Em comum, há a constante busca pelo que nos completa e nos traz realização. Navegamos entre dúvidas e incertezas, sem saber ao certo o que nos espera no caminho.
O post sobre aceitação e transformação na vida cotidiana nos leva a refletir sobre nossas próprias escolhas e caminhos.









