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domingo, dezembro 4, 2022

Operação Circuito Fechado investiga desvio de R$ 8,5 milhões

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Dono de equipe de stock car afirma estar tranquilo e contribuindo com as investigações envolvendo o programa Pró-Esporte da Secretaria do Esporte e Lazer do RS

Operação Circuito Fechado, deflagrada na quarta-feira (9) para apurar supostos desvios de R$ 8,5 milhões do programa Pró-Esporte RS, tem como principal alvo repasses envolvendo o automobilismo da categoria Stock Car Light. O Rio Grande do Sul possui apenas uma equipe nesta categoria, que é a Motortech Competições, de Caxias do Sul. O proprietário, Adilson Morari, admite ser um dos investigados e afirma estar tranquilo de sua inocência e colaborando com as investigações.

O empresário se manifestou na manhã desta quinta-feira (9). Ele relatou que sabia das investigações e que teve documentos apreendidos durante os mandados de busca e apreensão na Serra. No total, foram 12 mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul e em Porto Alegre.

— O que posso dizer é que somos alvos da investigação, desta suposta fraude noticiada, e que cumpriram os mandados de busca e apreensão ontem. Estamos colaborando com tudo o que a investigação pediu. De fato, trabalhamos com Pró-Esporte desde o início e sempre tivemos nossa prestação de contas aprovadas. Fizemos tudo dentro que a lei permitia e nos colocamos a disposição da Justiça para esclarecer — afirma Adilson Morari.

No site da Motortech, há um portal da transparência e é possível ver que a equipe conta com o apoio do Pró-Esporte RS.

Não sei quantos projetos são investigados, mas, como citei, participamos desde o início do Pró-Esporte. Pelo levantamento que fiz, tivemos aprovado R$ 2,5 milhões neste biênio 2019/2020 (que é o período que tiveram apontamentos de desvios, segundo a investigação). Bem longe destes R$ 8,5 milhões noticiados (que envolve todos os investigados).

Questionado sobre o envolvimento de funcionários públicos na suposta fraude, como indica a investigação, Morari afirmou desconhecer qualquer informação neste sentido e alegou que sempre foi “muito difícil aprovar um projeto”.

— Precisa ter um know-how (experiência e conhecimento sobre um tema) e ter o retorno para o Estado. O automobilismo chama atenção e nossa equipe já foi campeã várias vezes. Damos um retorno de mídia muito grande ao patrocinador. Tem televisão ao vivo e uma série de divulgações. É óbvio que as empresas sempre apoiaram. Mas, sempre fizemos tudo dentro do que a lei permitia e nos colocamos à disposição da Justiça para esclarecer — reforça Morari.

Segundo a Polícia Civil, são 15 investigados na Operação Circuito Fechado. Há representantes de duas associações esportivas que solicitaram recursos do projeto vinculado ao esporte, um ex-dirigente de uma destas entidades, empresários, servidores e um ex-funcionário da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer. Na ação policial de quarta-feira, uma pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo.  Os nomes não foram divulgados

— De Stock Car Light, somos a única equipe. Em todo o Sul do Brasil, só tem a Motortech. Então, piloto que quer participar, tem que nos procurar. Mas o piloto pode fazer projeto (no Pró-Esporte) com qualquer entidade. A equipe é uma coisa, a entidade que faz projetos é outra coisa. Pilotos podem buscar outras entidades, não apenas a da Motortech — explica Morari.

No site da equipe, o projeto Desafio da Velocidade 2021, realizado entre fevereiro de 2021 e dezembro do ano passado, é divulgado como contemplado no Pró-Esporte. O projeto tem como objetivo  financiar a participação do piloto Gabriel Robe na temporada 2021 da Stock Car Light. O valor total é de R$ 1.178.413, sendo financiado pelo Pró-Esporte RS a quantia de R$ 669.936.

A Operação Circuito Fechando é liderada pela 1ª Delegacia de Polícia de Combate à Corrupção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Os investigadores afirmam ter provas de que sete projetos teriam sido contemplados irregularmente. No caso, Estado repassou R$ 8,5 milhões entre 2019 e 2020. A liberação destas verbas não passou na prestação de contas e foram detectadas várias notas frias e duplicadas.

A Motortech Competições

Fundada em 2006 por Adilson Morari, a Mortortech Competições é tricampeã da Stock Light, que serve de base para a principal categoria do automobilismo nacional – a Stock Car. Os títulos na categoria foram conquistados pelos pilotos Márcio Campos (2015 e 2016) e Gabriel Robe (2017).

Em 2022, a Stock Car Light foi rebatizada para Stock Car Series. Para a disputa da categoria, a Motortech conta com três pilotos, um chefe de equipe e três mecânicos para cada carro. A equipe da Motortech também já disputou em outras categorias, como Pick-up Racing, Copa Montana e Mercedes-Benz Challenge.

Suposto desvio de verbas

De acordo com a polícia, o regulamento do Pró-Esporte RS permite apenas um projeto por vez para cada associação interessada, mas os investigados teriam usado documentos falsos para burlar o sistema e se revezavam nos programas apresentados para serem contemplados com os recursos o maior número de vezes possível. E sempre por meio de duas associações esportivas diferentes que, na verdade, seriam das mesmas pessoas.

Segundo a investigação, em parte, o dinheiro iria para financiar pilotos da Stock Car Light — a entidade organizadora da categoria não tem ligação com a fraude. Mas a verba do projeto também seria desviada por meio de notas fiscais suspeitas, principalmente para pagamento de empresas especializadas em transportar os carros usados nas corridas. Na verdade, os valores seriam divididos posteriormente entre os investigados, além de não gerar arrecadação de impostos.

Os crimes apurados são contra a fé pública, estelionato contra a administração pública, corrupção ativa e passiva e associação criminosa. Os mandados judiciais de busca, com o objetivo de localizar e apreender documentos, equipamentos eletrônicos, entre outros, ocorreram nas sedes das duas associações, em duas empresas, nas casas dos representantes destas associações e empresas e de alguns servidores.

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